19 julho, 2021

A disseminação da pandemia gerou conhecimentos relevantes para esse setor

Aprender sobre investimento exige uma leitura de mundo que ultrapasse o limite teórico. Por isso, precisamos valorizar a experiência obtida através do cenário caótico de 2020. Afinal, foi a partir desse período que:

  • A realização de planejamentos foi reconhecida com maior intensidade;
  • A valorização profissional se mostrou ainda mais importante;
  • O desenvolvimento estrutural cresceu em muitos pontos.

Quer conhecer mais sobre esses assuntos? Continue no nosso artigo!

O que foi o ano de 2020?

Por melhor que fossem os analistas de mercado, era praticamente impossível prever o cenário que se construiria em 2020. A disseminação da pandemia instaurou problemas em inúmeras áreas, tanto pelo medo da doença quanto pelas medidas de isolamento usadas para sua prevenção.

Consequentemente, todos os mercados – ou, pelo menos, sua esmagadora maioria – foram influenciados por esse período de alguma maneira. E, para perceber esses pontos mais óbvios, basta associarmos aos principais movimentos da sociedade.

A começar pela estrutura adotada por diversos nichos profissionais. Segundo a Pesquisa de Gestão de Pessoas na Crise de Covid-19, desenvolvido pela Fundação Instituto de Administração (FIA), aproximadamente 46% das empresas brasileiras adotaram o trabalho remoto até o mês de abril do ano passado.

Apesar de uma explosão momentânea, outros estudos indicam que existe uma inclinação para que esse movimento se estabeleça de maneira ainda mais firme. Dados apresentados na pesquisa Tendências de Marketing e Tecnologia 2020: Humanidade Redefinida e os Novos Negócios, coletados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostram que o número de companhias que utilizam esse mesmo regime ainda deve crescer 30% após o fim da pandemia.

Portanto, muitos setores relacionados a esse movimento podem ser vistos como promissores. Talvez, os exemplos mais práticos nesse sentido sejam as vendas de produtos para o trabalho remoto, que aumentaram consideravelmente durante o ano passado.

Um relatório desenvolvido pela IDC Brasil, restrito ao território nacional, mostrou que a quantidade de computadores vendidos no primeiro trimestre de 2020 foi 16% maior que o mesmo período de 2019. Em materiais brutos, esses números representam mais de 1,47 milhão de unidades vendidas.

A rede Tok&Stok também se beneficiou desse movimento. Dados divulgados pela varejista mostraram que a venda de escrivaninhas cresceu 228% apenas entre março e maio do ano passado. A saída de itens de escritório mais variados, como artigos de papelaria, aumentou em 171%. A Mobly, por sua vez, ampliou sua venda de cadeiras de escritório em 36% entre março e junho do mesmo ano.

Todos esses fatores estão voltados ao melhoramento de ambientes de trabalho caseiros, mas outros setores mostraram evoluções parecidas, como o entretenimento. Afinal, o isolamento também criou a necessidade de melhorar o bem-estar nesse sentido, e o mercado aproveitou essa carência.

Mesmo estando em ascensão a anos, a indústria de videogames conseguiu superar seus próprios recordes e registrou um crescimento de 140% em transações financeiras feitas nas principais plataformas do ramo, conforme apontou a Visa. Os dados também são referentes ao ano de 2020 em comparação a 2019.

Por fim, vale destacar a crescente (e óbvia) busca por artigos de higiene, como máscaras de proteção e sabonetes. Um dos casos mais emblemáticos sobre essa temática aconteceu nos Estados Unidos e foi apresentado em uma pesquisa desenvolvida pela Nielsen. Segundo a empresa, na semana do dia 22 de fevereiro, período me que a doença começou a se espalhar com mais veemência pelo país, as vendas de álcool em gel cresceram aproximadamente 85%.  

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Afinal, o que tudo isso significa? 

É perceptível como 2020 girou ao redor do isolamento social, promovendo indústrias voltadas à saúde e itens domésticos. No entanto, a instabilidade política brasileira contribuiu com diversas baixas, e esse cenário ainda pode piorar.

Colossos multinacionais como a Ford, a LG, a Mercedes-Benz, a Nike, a Roche e a Sony perceberam como esse ambiente estava insustentável e abandonaram o mercado nacional. O professor Paulo Feldmann, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP), explicou ao Jornal da USP um pouco sobre esse movimento.

Em uma entrevista publicada em 29 de abril desse ano, ele disse: “(…) a economia brasileira não vai bem. Temos níveis de desemprego altíssimos, o que causa uma redução de consumo (…) O Brasil está cada vez mais caro”. Para piorar, essa não é uma narrativa exclusiva nacional, sendo percebida até nos Estados Unidos, que chegou a ter quase 20 milhões de pessoas sem um trabalho formal.

Portanto, é preciso realizar aplicações mais seguras, como tendências de mercado a longo prazo. Assim, é possível mirar em um futuro mais estável e com menos problemas econômicos, independente do país em que esses investimentos estejam sendo feitos.

Nesse sentido, outro ponto interessante é a diversificação. A ideia é se voltar para a ecleticidade, e olhar para pontos que muitos consideram inusitados. Para ilustrar isso, podemos usar a Tesla, que era frequentemente rotulada como uma aposta ousada. No entanto, 2020 entrou para a história da marca com um crescimento de 695% em suas ações, colocando a empresa como uma das mais valiosas do mundo. Por isso, o gerenciamento de risco não deve ser descartado, apesar de dever ser observado com muita atenção.

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Ou seja, em 2021…

É extremamente irresponsável qualquer indivíduo que demonstre certeza quanto a investimentos nos próximos anos, visto que quase todos os cenários são absurdamente nebulosos.

Porém, passos tradicionais continuam sendo aplicáveis. Ou seja, estudos aprofundados sobre os cenários europeus, o acompanhamento de eleições (principalmente no Brasil, em 2022) e outros fatores desse gênero. Afinal, o desenvolvimento de vacinas e a diminuição de medidas de prevenção pode sugerir mudanças graduais no mercado, e apenas os mais atentos não vão deixar esses detalhes passarem me branco.